Terça-feira, Julho 14, 2009

Sentou-se na cama, ainda quente do torpor dos corpos. O quarto parecia-lhe enorme e tão vazio... Estava sozinho. O coração batia-lhe desenfreado no peito, o corpo estava dormente, e nada à sua volta fazia sentido. Um grito agudo trespassou os minutos, no quarto em vácuo. O telefone. A medo pegou-lhe e ouviu alguém alegre e cansado que lhe contava a jornada até chegar a Londres. Ana tinha ido em trabalho, um cliente importante... Ana, a mulher com quem tinha casado há uns anos atrás. Ana, a mulher que tinha estado afastada da sua mente durante as últimas horas, durante as últimas semanas.
Letícia tinha surgido de novo, a sua paixão de outros tempos. E agora ela tinha saído, altiva, com a certeza de que deixava para trás um homem perturbado.

Enquanto sorria, consciente dos estragos que provocava, Letícia dava as indicações ao taxista para a deixar em casa.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Arrependimento.

Ela sabia melhor, sempre soubera. Não baixava a guarda nunca, mas as recordações de outros tempos fizeram-na ceder. As recordações eram de tempos idos em que também sofreu mas disso nunca ninguém se lembra... E recordava os andares de mão dada, o toque dele, as mãos dele, o cheiro dele. Inconfundível.
Por isso, quando depois da noite em que secretamente foram um do outro, ele não deu notícias, não respondeu à sua mensagem e não voltou a ligar, Letícia pegou, pedra por pedra, e reconstruiu o muro.
Saiu à noite, com as amigas. Suou no ginásio. Comeu saladas e gelados. Bebeu cerveja, apanhou sol.
Por isso, quando depois da noite em que ele lhe segredou amores que não tinha ao ouvido, ele a voltou a ver, ela tinha pele e cabelo dourado do sol, olhos brilhantes e o que ele via era como se a visse pela primeira vez.
Por isso, quando depois de todas as noites passadas, pedra por pedra, a reconstruir o muro, Letícia seduziu-o. Mas não se deu.
Por isso, quando depois de saber que ele tinha alguém na sua vida de quem se despedia todas as noites com sorrisos, Letizia avançou e agarrou-lhe o cinto. Desapertou-o. Abriu um botão, outro e mais outro. Deixou que as calças lhe caíssem e puxou-o para si. Sentiu-o duro, forte, mas doce por dentro, como se o veneno que ela sentia hoje por ele lhe escorresse pela garganta e o fizesse amarrar àquela sereia.
Letícia sentia-se perigosa. A chama que provocou demorou a queimar, mas Letícia não esmoreceu, nem derrubou. Continuou as sua dança perigosa, com as mãos dele no seu peito, e as dela por cima, como quem grita controlo. Satisfez a sua raiva naquela, hoje, abjecta pessoa que tanto queria mas a quem nada podia dizer. Usou-o por desfeita, por rancor. Hoje ela dormia sozinha, mas ele dormia pior.
Por isso, depois de satisfeita fê-lo vir. Desceu da cama e vestiu o vestido que se colava agora à pele tranpirada. Ele, extasiado mal se apercebeu que Letícia estava saída e foi à casa de banho passar um refresco pelo rosto, recuperar a pulsação, respirar de novo, sem sofreguidão.
E por isso, quando regressou estava sozinho num quarto cheio de um silêncio que o esmagou.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Aquele encontro inesperado...há muito esperado

Letícia caminhava distraída, a mente divagava entre os contornos do fim de semana e as tarefas planeadas para aquele dia. E de repente, num olhar desatento, encontra uma cara familiar... Ricardo.
Ele também a viu. Assim, sem pré-aviso e sem filtro, sentiu os pulmões apertados e não conseguiu evitar um sorriso. As palavras enrolaram-se na garganta, num angustiante atropelo de hesitações, e as mãos ficaram frias e a suar, num conjunto de sensações que provavam a indiferença impossível em relação a Letícia.
Também ela percebeu que aquela paixão de infância não tinha esmorecido. O coração acelerado e a pele em em alvoroço eram apenas alguns sinais da atracção que ainda sentia por ele. Cruzaram-se e falaram. Num convite para um café, ficaram lembranças revisitadas e sentimentos recuperados por instantes.
.....................................

E num impulso Ricardo arrastou-a para sua casa, vazia, livremente auspiciosa, e envolveu-a em si. Queria matar saudades, aproveitar tudo o que não tinham aproveitado em tempos mais inocentes... e, apesar da resistência, Letícia acabou por ceder ao homem que sempre desejou em segredo. Deixou-se levar pelo momento, quase com vontade de o provocar, recuperando a inocência há muito perdida. Mas já estava cansada de esperar, queria-o e queria-o já, "de um querer bruto e fero" como um dia escreveu Almeida Garrett.
Ricardo não se demorou a arrancar-lhe a roupa já de verão, ela beijou-lhe o pescoço com languidez. A língua lasciva de Letícia percorreu a pele do corpo másculo e bem delineado que tinha à sua frente, provocando-lhe arrepios. Ele segurou-a com firmeza pela cintura, apertou-a contra si, sentiu-lhe o bater do coração. Sentiu-lhe o calor e, a cada investida, Ricardo excitava-se mais ao ver as faces de Letícia coradas de prazer. Imaginava-a na pele da menina ingénua e inocente que não tinha tido oportunidade de provar, ao mesmo tempo que se agarrava ao corpo de mulher. Tão sensual e tão quente.
Os sentidos entrelaçados, sensações inesperadas e um desejo quase tangível que os acompanhou até a tarde acabar e a vida reclamar o regresso.

Noites quentes de saltar de parapeitos

Chegou por detrás dela e cheirou-lhe o cabelo. Puxou-os um pouco, gostava de a controlar. Usava a vantagem do tamanho que tinha, em tudo. A mão dele, enorme, rodeava-lhe a cintura e vincou os dedos na silhueta feminina, que lhe enebriava o espírito. Ela, encostada à janela bebia de um cálice de base desgastada, das lavagens, doutras noites, outros amores. Aproximou-se mais. Ela sentia-o cada vez mais, cada vez maior. Ele sabia o tempo que demorar para crescer nela o desejo de o ter e isso agradava-lhe.
Com os joelhos, afastou-lhe as pernas e deixou-se ficar. Ela tremeu. Os seus lábios percorriam-lhe o pescoço e a cabeça dela cedia, descontraindo e caindo apoiada no seu ombro, onde já chorara, noutras noites, noutras viagens. As mãos dela pararam no rabo dele, à medida que as mãos grandes lhe percorriam o corpo, começando pelo peito desenhado na perfeição, cobiçado por todos, tocado por apenas um. Naquela noite.
Sentia-se vulgar por vezes, quando, com fulgor, ele a virava contra si, indefesa. Mas o prazer da caçada tirava-lhe o poder com o qual dominava todas as facções da sua vida. Hoje queria ser ela a presa.

Abri-te as pernas e gemeste de surpresa. Querias ser minha, senti-o nos teus lábios trémulos quando me pedias mais sem o fazer. Fiz do teu umbigo o ponto de partida e subi, conhecendo cada centímetro da tua pele morena, quente, arrepiada. Agarrei-te o pescoço e empurrei-o para trás. Gostas quando tomo a dianteira. Gostas que seja bruto e te controle, que te faça subir. E descer. E subir. Para que desças fulgorosa outra vez e comece a tua dança no meu corpo, também trémulo de cansaço, desejo, prazer.

Respirava mal mas não era a tua mão no meu pescoço. Eras tu a conhecer-me, a fazeres-te convidado em mim. E eu só queria dançar como um, sentir o harfar do desejo e dançar ao som do desespero que era estares dentro de mim. E tu dançavas bem, semi-nú meio sem jeito com calças pelos tornozelos e eu de saia arregaçada contra um parapeito baixo demais. Gosto do risco. Faz-me querer saltar. Saí de ti e afastei-te de mim. As calças dificultaram-te a passada e caíste na cama, em câmara lenta, sensual. Liguei a câmara. E a dança recomeçou. Uma. Outra. e outra vez.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

46 - Sunrise

Conversaram durante horas e, apesar de sentirem a temperatura descer, não tinham vontade de terminar a noite.
- Pequeno almoço em minha casa?
Desafiou Letícia, com um sorriso algo provocador. À defesa, João respondeu com outra pergunta:
- O que é que tens para me oferecer?
- Uma enorme variedade de iguarias que prometem aguçar o teu paladar e deixar-te plenamente satisfeito, ainda antes do amanhecer!
Riram e encaminharam-se para o carro do João. Quando chegaram a casa da Letícia ainda era noite, ela fez café e torradas.

A conversa parecia ter chegado a um fim. O silêncio agora imperava, entre o café quente e deliciosas torradas, as palavras desfizeram-se em sorrisos e olhares envergonhados. Ele inclinou-se, tentando alcançar um guardanapo, Letícia não se desviou e João conseguiu tocar os seus lábios pela primeira vez nessa noite.
O que se seguiu foi pura magia da atracção, carícias, beijos, toques inocentes que despertaram as mais violentas reacções. Enlearam-se nos lençóis beges da Letícia enquanto o sol nascia, o calor inundou o quarto e conduziu-os a um sono reparador.
Quando acordaram, Letícia estava envolvida nos braços de João e sentiu-o beijar-lhe o cabelo antes de ouvir um "Bom Dia" sereno. Por momentos temeu que ele se fosse embora rapidamente, mas as intenções de João eram outras. Começava a gostar daquela mulher sorridente e arisca...

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

45 - Reencontro

Era o Ricardo. Ali, no crespúsculo de uma noite abandonada aos amigos. Letícia esforçou-se por manter o controlo e esquecer aquele momento. Já não o via há muito tempo, era alguém que talvez não quisesse voltar a ver. Sacudiu a cabeça e afastou-o do pensamento.

Seguiram para o bar e à terceira bebida, Letícia viu faíscarem no balcão uns olhos verdes profundos. Patrícia também se apercebeu e levantou-se para cumprimentar o ex-colega de faculdade. João estava descontraidamente a conversar com um outro rapaz, colega de trabalho, com o qual a Patrícia pareceu momentaneamente encantada. João deixou-os a sós e aproximou-se de Letícia, sorriram e embrenharam-se numa conversa divertida sobre encontros passados e a noite presente. Inconscientemente sabiam que na manhã seguinte iriam acordar nos braços um do outro.

O colega do João tinha vindo com ele e ao sairem do bar, Letícia e Patrícia aproveitaram a boleia. Mais tarde e já a sós, João e Letícia foram dar um passeio pela praia...

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Luísa ajuda - 44

- 'Tá Marta? Olá! Olha A Patrícia ligou-me é para irmos jantar lá a casa hoje! Liguei ao Gabriel e ele pode levar-nos...Sim, ele leva a nova namorada...ahahaha..não sejas má! Ele leva-a mas tem espaço para nós, passa por aí às oito?...ok já lhe mando uma mensagem. Beijo!

E agora o que vestir? Provavelmente não haveria nada de anormal naquela noite mas ela queria estar bela, sensual até. Optou por um vestido simples, verde escuro de corte ousado mas longe de ser ordinário.

O jantar correu sem sobressaltos, a Luísa foi apresentada de forma pacata e só no avançado da noite, é que começou a conhecer a natureza alegre e despreocupada das amigas do seu amado.

Estavam a dirigir-se para um bar que o Gabriel queria dar a conhecer a todos, quando Letícia estacou. No seu olhar viam-se veios de gelo, nas suas mãos sentia-se o torpor de quem decide desistir. A Luísa foi a única a notar o súbito atraso da Letícia e, com serenidade e discrição, fez por perceber o que se tinha passado. Rapidamente encontrou o objecto de preocupação para Letícia. Era alto, moreno, aparentemente inofensivo. Luísa considerou até que não se destacava na multidão, pelo que percebeu intuitivamente que havia um historial com a sua nova amiga que ela não conhecia.

Letícia engoliu em seco, a garganta apertada, obrigou-se a recompor-se e trocou um olhar de agradecimento com a Luísa.

Domingo, Maio 25, 2008

Regesso do pijaminha - 43

Passou pela dona Isabel ao entrar no prédio, cumprimentou-a e seguiu.Subiu as escadas num passo pesado e arrastado. Cansada. Ao chegar à sua porta reparou imediatamente num embrulho de papel reciclado, enleado com fita vermelha. O bilhete estava entreaberto. Letícia hesitou, pegou-lhe com cuidado e leu de um fôlego só.

Seria possível? O pijaminha?
Pegou cuidadosamente no embrulho e levou-o para dentro. Sentou-se na poltrona e com desenlace nos dedos abriu-o. Ali estava ele suave, azul. Letícia suspirou e inalou um subtil aroma a lavanda. Está lavado, pensou. Mas já não tinha o cheiro dela, sem pressas decidiu voltar a lavá-lo - não fazia ideia de onde teria estado o pijaminha e não queria pensar nisso. As possibilidades que lhe asssomavam a mente provocavam-lhe arrepios.

Domingo, Maio 04, 2008

Desaparece - 42

Não percebo porque me irrita tanto este querer, este desejo que me amolga o andar e me faz suspirar apertada. Não entendo esta urgência dos teus braços que amordaço com os lábios quentes de outro alguém. Vou tomar banho, lavar o teu olhar de mim, arrancar as tuas palavras dos meus ouvidos. Escolher um canto para te esconder e nunca mais te encontrar. Porque preciso mesmo disso. Ai Miguel...desaparece. Deixa-me o vazio com que aprendi a sorrir e que agora tu não sabes como preencher. Habituei-me à tua pele, ao teu sabor e sem saber perdi-me no desejo que cega e faz tremer os joelhos.

As horas que partilhei contigo, num envolvimento que nunca soube como definir, passeiam-se na minha mente nos minutos ociosos...

A mesma dança repetida em mundos diferentes, em segundos diferentes, em escalas de intensidade diferentes. O sal da minha pele no sabor dos teus beijos, o calor do meu corpo entre as tuas mãos. A tua respiração ofegante e o meu coração acelerado. Uma dança descompassada perdida nos beijos acalorados. O pé a pisar o céu do abismo, o mundo a fugir-me das mãos, a tua respiração entrecortada no meu ouvido e o meu calor no teu corpo escaldante. A tua pele por baixo das minhas unhas e as tuas mãos a agarrar firmemente a minha cintura. Os gemidos que não consegui calar...e que te fizeram estremecer.

Agora apaga isto de mim para que te possa esquecer.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Regresso - 41


Ricardo estava calmo, tinha os movimentos calculados. Nada iria falhar, tinha que se desvincular daquele objecto e principalmente da sua dona. Abriu a gaveta mais próxima do chão e procurou entre os seus pijamas e os da sua mulher a peça de roupa que mais o tinha feito suspirar. Pegou nele, azul suave, inocente e ingénuo à primeira vista, mas tão sexy ao toque e tão indecentemente lascivo. Passou largos minutos a embrulhá-lo em papel reciclado, bege morto que em tudo contrastava com o poder do pijaminha. Escreveu algumas palavras numa letra desenhada com cuidado, não queria ser reconhecido.
Saiu de casa, consciente que Letícia estaria no trabalho àquela hora, tocou à campainha e pediu à Dona Isabel para poder deixar o embrulho à porta da inquilina. Como já o conhecia de visitas anteriores ao Miguel, esta não ofereceu resistência. Ricardo subiu as escadas e pousou cautelosamente o embrulho na soleira da porta de madeira. O bilhete ligeiramente aberto:

"Devolvo-te a pele que te falta, perdoa-me o desejo incontrolável que me fez levá-la para longe de ti."

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Entrou de mansinho na casa adormecida. O aroma a refogado passava já da porta e não se espantou por encontra-la aberta. Melhor, pensou, menos esse constrangimento.
Ninguém a esperava ou surgira para a receber. A comida, a apurar em lume brando, acelerava as paixões que fervilhavam em ambas as divisões. A mesa estava posta para dois, o vinho verde gelado suava ao calor que as velas vermelhas emanavam ao seu lado. Olhou-se no espelho e sorriu de satisfação. Era uma mulher bonita. Ao som da música que tocava baixinho descreveu movimentos sensuais com o corpo ondulante, como quem faz amor consigo mesmo. Sentia-se bem. Sentou-se na cadeira que lhe estava destinada, e aguardou.

Chegaste pouco depois, de barba por fazer [sabes bem, Miguel] e camisa meio aberta, deixando a descoberto o peito que o teu coração fez crescer. Trazias uns calções de Verão, revi-te na esplanada comigo, tardes de verão e marisco, eu a rir e cascas no meu cabelo. Tu rias também, tiravas-mas e roçavas a mão suja pelo meu rosto. Riamos os dois, idiotas apaixonados, ou assim queríamos crer...

Sentados à mesa, o vinho levou o embaraço, trouxe o riso solto e sincero. O cabelo ondulado dela brilhava mais com ele por perto, e não podia deixar de o tocar, de se tocar quando ele era a pessoa que lhe devolvia o sorriso para lá da mesa.
Aos poucos, poucos mais de dois centímetros, um, nenhum intermediavam aqueles dois. Os seus lábios carnudos tocavam o pescoço dela e a sua barba de três dias [bem sei que é assim que gostas] chamavam arrepios que ela tentava esconder. As mãos dela tocavam-lhe as coxas, apertavam-nas ao ritmo dos beijos dele que lhe desciam agora pelo decote.
O comer arrefecia nos pratos, o vinho há muito que acabara e a roupa de Letícia aproximava-se perigosamente do chão da sala. Já no sofá, arfavam os dois, amantes inconfessáveis e eternos [como me livro de ti, Miguel? Faz-me não gostar de cada beijo, conseguir não caber no teu abraço…] mas ela mascarava bem as dúvidas que lhe assolavam o coração e tomou a dianteira. Trepou-lhe o corpo moreno e delineado e beijando-lhe o peito fez descer a camisa até ao chão. Agilmente escorregou a mão em direcção ao pecado e com um só movimento desapertou-lhe o cinto e o botão dos calções. Visivelmente inebriado, Miguel tenta alimentar o desejo daquela fogosa mulher. Inverte a situação saltando-lhe para cima e arrancando-lhe a blusa que escondia os mais bonitos e reais seios em que já tocara. Ela, arrepiada, fazia-o subir e descer ao ritmo da sua respiração ofegante de prazer. Suada ficava mais bela, [és tão linda, não tens noção…] faces ruborizadas com a mão dele entre as suas pernas, não se inibia de soltar um gemido. Despidos de roupa, medos, memórias de um passado recente em desilusão e saudade, tremiam em síncope de misto de dor e prazer entorpecidos pelo calor que provocavam juntos. Ela, de novo por cima, balançava as suas ancas para a frente e para trás, num movimento febril e compassado, e pegando nas mãos deles pousa-as sobre o seu peito. O seu coração batia veloz, à medida que ela aumentava o ritmo, acelerava o passo. E balançava, portentosa, dona de si, mulher de paixões, à medida que os dedos de Miguel lhe vincavam a cintura, cerrados pelo tamanho deleite.
Assim se mantiveram, escravos do prazer até que o corpo humano cedeu, até que Miguel se deu. E deitados, esgotados, foram reacendendo uma paixão difícil de controlar, nas cinco vezes seguintes que, naquela mesma noite, se tornaram, fisicamente, um só…

Terça-feira, Abril 15, 2008

Era ela - 39

Chegara mais um fim de tarde, mais um pôr-do-sol se aproximava. Quase sem hesitar ligara-lhe:

- Estou, Miguel?

- Olá...

A voz falhou-lhe ao perceber que era mesmo ela. Assustava-o a forma como a sua mente se prendera àquela morena de corpo esguio.

- Tudo bem? Hoje sonhei contigo...

Assim. Quase fria, quase atrevida. Sem meias-medidas. Surpreendeu-se com o seu próprio à-vontade.

- Ah foi? E foi um sonho bom?

- Hum...foi óptimo, eu diria, para o teor quente que tinha...

Ele sorriu silencioso do outro lado.

- Conta-mo!

- Nah! Quero realizá-lo...

Era esta audácia que o apaixonava.

- Parece-me boa ideia!

- Que tal esta noite?

- Ah! Não posso, tenho um jantar de amigos...

- Perfeito!

Ele ficou desorientado.

- Ãnh? Mas...não posso!

- A que horas sais de casa?

- Lá p'rás 20h30...

- Óptimo, lá estarei!

- O quê?! Letícia...!

Mas ela já tinha desligado. Ele pousou, atónito, o telemóvel e sacudiu a cabeça incrédulo.
Do outro lado ela sorria, num misto de espanto e satisfação. Só queria saber se teria coragem para ir até ao fim...

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Sonho - 38

Chegou a casa cansada, depois de uma noite acalorada entre lençóis ia ser bom descansar. Entrou discretamente, não percebeu porquê mas queria evitar que o Miguel a visse...Deixou cair as chaves no móvel da entrada e proseguiu largando o casaco e a mala num dos cadeirões. Estendeu-se no sofá e aninhou-se, alcançou o comando da aparelhagem e ligou-a. Deixou a música preencher o espaço e sem pensar em nada adormeceu.

De repente estava numa casa diferente de todas as que conhecia, num quarto escuro em tons vermelhos. Sentada na cama, envergava uma lingerie escura com pormenores inocentes mas extremamente sexy's. Ouviu o trinco da porta e sentiu-se sorrir, Miguel entrava distraído, de toalha à cintura, ainda quente e molhado do banho. Espantou-se ao perceber que não estava sozinho, sorriu mas esforçou-se por não perder a pose, disse:
- Olá, estás muito bonita...mas agora não posso, vou sair. Fica para outro dia...
Letícia sentiu os seus olhos faiscarem, levantou-se e a sorrir lascivamente empurrou-o para cima da cama. Abanou a cabeça e prometeu-lhe que ele não sairia dali antes de a satisfazer. Miguel tentou ser forte e negar, mas a sua excitação já era evidente através da toalha branca, na verdade só a visão da sua vizinha naquele conjunto tão sensual já tinha feito estragos. Ela beijou-o de forma ingénua e calma, desceu pelo seu pescoço, mordendo suavemente o seu ombro...passeou a língua pelo seu peito e agarrou a toalha com os dentes, abriu-a e sorriu provocadoramente enquanto o apreciava.
Ele respirava com dificuldade e agarrava a colcha na cama para manter o controlo, Letícia levou-o ao extremo, ao limiar do abismo vezes sem conta...até que ele a travou. Sentou-se e obrigou-a a tombar sobre a cama também, desta vez foi ele quem se divertiu na pele dela. Ela sorria, satisfeita e poderosa, consciente que teria deixado outra rapariga qualquer à espera daquele homem que não ia chegar tão cedo.
Depois de lhe ter arrancado a lingerie Miguel soube explorar cada centímetro, levou-a a contorcer-se descontroladamente duas vezes e quando já se sentia louco de desejo, penetrou-a suavemente sentindo-a como sua. Letícia entregou-se ao prazer mais uma vez e de unhas cravadas no ombro do Miguel não conseguiu calar um gemido que o fez perder o chão...


Letícia acordou afogueada com um feixe fraco de sol a iluminar-lhe o rosto. Sorriu espantada e percebeu que ainda envergava o vestido vermelho. Levantou-se e foi tomar banho para depois preparar o jantar. «Sábado ocioso» pensou.

Só mais um - 37

Fora um encontro como outro qualquer.
Um rosto conhecido, bonito, com a barba de três dias, que ela tanto gostava.
Um corpo musculado, suado pelo desejo, jazia agora em arfado cansaço, depois do melhor sexo da sua vida com alguém que já tivera melhor.
Tenho de parar de fazer sexo porque sim..., pensava Letícia. Hoje tivera de pensar onde estava ao acordar e detestou a sensação. Os lençois não eram seus, nem tinham sido lavados por si. A vista não era aquela a que se habituara a cada manhã e neste apartamento não estava sozinha.
Não querendo melindrar aquele cujo rosto ainda marcava um sorriso pateta típico de miúdo bonito que sai poucas vezes, Letícia vestiu silenciosamente a lingerie que comprara no dia anterior, e num movimento rápido e pragmático enfiou o vestido vermelho que tanto pecado gerara. Tenho de o usar mais vezes, pensou, sorrindo.
Agora, Miguel.
Bem, amanhã penso nisso.

Magia - 36

Podia parecer incrível, mas a verdade é que não o via fazia tempo que nem ela sabia já contar. Moravam no mesmo prédio, seria possível que estivessem assim tão destinados a não se encontrar? Estava cansada de sentir que o chão lhe fugia quando horas corriam e não deixava de pensar nele. Habituara-se à sua permanência e parecia custar menos tê-lo sem o ter na realidade, a não ter ninguém que a enchesse de memórias e arrepios passados.
Envolta em pensamentos passou a caixa do correio, entreaberta, sem sequer se interrogar o que seria aquele bilhete pequeno, amachucado, qual recado de criança em plena escola primária. Envolta em pensamentos mantivera o telemóvel em modo silencioso, negligenciado a sua mensagem que aguardava uma resposta que ficara muda.
Do outro lado ele roía as unhas, passava as mãos pelo cabelo, em jeito de ansiedade. Porque não me respondes Letícia...?, questionava-se, irrequieto.
Chegaram as oito. No bilhete, ainda bem dobrado dentro de uma caixa de correio esquecida, estava combinado o encontro ao qual Letícia se preparava para faltar, sem saber.
Miguel entrou no prédio e mesmo sem mudar de roupa dirigiu-se a um apartamento que não era seu.
Pousou, leve, a sua pesada mão sobre a porta. Sossegada estava a casa que muito já vira sem que pudesse contar. Encostou o rosto quente de temor à porta que guardava a mulher que mais o fizera suspirar, por mais silencioso que batesse o seu coração.
Nisto a porta abre-se e Miguel quase cai no seu decote. Letícia ali estava, pronta para alguém que não era ele, com um tom de pele quente e bronzeado e um vestido vermelho vivo que mal o deixava respirar.
-Podemos falar?, soltou
-Agora? Miguel, tenho um compromisso.
-Sim, é comigo!
-Não, não é contigo, mas que raio, apareces aqui sem avisar, e partes do pressuposto que temos um compromisso? 'Tas doido?
-Ammm mas... eu deixei-te uma mensagem, tu não respondeste.
-Ah, hum... uma mensagem?, pergunta num misto de espanto, embaraço e uma alegria inconfessável. Mas não. Hoje não ia vacilar.
-Bem, vai ter de ficar para outro dia, agora já estou atrasada.
E fechou a porta a três centímetros do seu rosto de homem de ego ferido e olhos de cachorro abandonado.

Domingo, Abril 13, 2008

Backseat - 35

Ele ainda lembra uma das noites em que saíram juntos.

Ao chegarem a casa ele impediu-a de sair do carro, aproximou-se cuidadosamente dos seus lábios e beijou-a. Rapidamente a fez passar para o banco de trás e entre beijos e carícias Miguel soube perder-se numa pele que não era a sua.
Letícia deixou-se levar sem cordas que lhe amarrassem a alma e o desejo.
Os beijos sôfregos a deixar os lábios dormentes e a pedir por mais, as mãos de Miguel quentes, provocadoras - que lhe ofereciam arrepios pelo corpo todo. A sua respiração ofegante e entrecortada no ouvido dele, estímulo ao qual ele não era capaz de resistir.
Apertada entre uns braços calorosos sentia-se confortável, desejada. A sua pele escaldava, limite suave de um desejo quase incontrolável. As mãos dele, ariscas, atrevidas a procurarem a pele nua, a percorrerem-lhe as costas com astúcia e a deixar Letícia rendida a todas as sensações.
"Loucos" repetia ela ao ouvido de Miguel enquanto sentia cada vez mais necessidade do corpo dele. As peles misturadas, as mãos unidas. As bocas entrelaçadas em beijos infinitos.
Letícia prendeu-lhe as mãos paralelas à cabeça, impedindo o seu toque irresistível e provocando-o, doce tortura acompanhada da sua língua lasciva a percorrer-lhe a pele do pescoço. A cada investida ela sentia-o apertar-lhe os dedos num pico de prazer e a cada arquejo ela imergia um pouco mais no mar de desejo que os envolvia....

Um som ensurdecedor arrancou-o das suas memórias, era o telefone a tocar. Seria ela?

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Chocolate - 34

Dois meses. E o sabor dele continua na minha boca. Porquê?De vez em quando vem perturbar-me os pensamentos sem razão. Oh vá lá...não tens razão nenhuma para lhe ligares..está mas é quieta! Sim..e se lhe ligasses o que é que lhe dirias?
"Ah olá Miguel, sou eu...'tá tudo bem contigo? ...sim? Comigo também! Pois é porque hoje não me sais da cabeça e eu queria mesmo entrar-te pela casa a dentro e encostar-te a parede com beijos sôfregos e violentos...sim,sim...e arrastar-te para a cama e comer-te como se fosse a última vez!"


Oh por favor...és tão patética. Esquece-o de uma vez por todas....
Já sei! Vou sair..vou ligar à Patrícia e à Marta e convidá-las para sair comigo...vamos à caça! Sim, tenho que encontrar uma distracção!

Se ao menos ele não me deixasse assim, se ao menos eu não ficasse a fantasiar com os beijos e as carícias...se...oh vá lá. Pára com isso!

Chocolate, vou comer chocolate. Ná...tu não estás apaixonada por ele. Vá lá cala-te.Que parva. Chocolate.Chocolate.Chocolate. Só eu e chocolate.

Sábado, Março 29, 2008

33 e o misterioso joão.

Lembra-se como, na primeira noite que o tinha visto, ele a agarrou e a encostou à parede fresca numa rua qualquer. Aproximou os seus lábios de pecado dos delas e sentiu-a estremecer. Ela fugiu, a noite tinha acabado por ali, nem um beijo...mas o desejo de tanto mais debaixo da pele.

Tinha acabado de pousar o telefone, ía vê-lo outra vez. O nome dele: João. Nunca lhe tinha tocado os lábios mas aquele moreno de olhos verdes tirava-a do sério.

Depois de um jantar com amigos comuns, que nada sabiam da sua história, seguiram a pé para um bar, caminhavam lado a lado cúmplices de secretas fantasias. O luar provocou as brincadeiras e acabaram por se distanciar do resto do grupo, entre risos nada contidos e toques provocadores Letícia perdia-se nos encantos daquele rapaz de quem pouco sabia. O sorriso dele dizia-lhe que ía ser naquela noite que os seus sentidos se iriam misturar.

Num passo menos cuidado Letícia precisou de apoio para evitar uma queda, o clássico momento constrangedor em que o João soube o que fazer. As línguas dançaram como sereias num mar de paixão incontida, a pele suave dos dois aproximou-se e as mãos atrevidas do João provocaram arrepios na pele que ele tanto queria provar. Uma dança ao luar, uma mistura de sensações irrepreensíveis e incontroláveis. Passados cinco minutos de puro fogo, João chamou um táxi e levou Letícia para sua casa.

Lençóis escuros. Azuis, escorregadios...tão confortáveis. Deitou-a e suavemente despiu-lhe o vestido verde. Letícia tinha a lingerie preta que uma amiga lhe tinha oferecido num aniversário, simples mas muito provocadora. Beijaram-se mutuamente, ela votou o corpo ao abandono das carícias deste quase desconhecido. Entre arrepios de prazer conseguiu ter força para se virar e ficar por cima dele. Prolongou o seu sofrimento até ao extremo - gostava de ver o seu sorriso maroto quando estava a gostar. Quando terminaram os jogos atrevidos entre os dois e começou uma guerra libidinal o dia já amanhecia. Letícia apenas teve tempo para um banho e um táxi para casa antes de ir para o trabalho.

Quando chegou a casa passou pelo Miguel na porta da entrada. Sorriu e disse Bom Dia, sentindo os olhos cravados nas suas costas enquanto subia as escadas.

Quarta-feira, Março 12, 2008

32

A porta abriu-se sem que ele tocasse na maçaneta.

- Olá! Bom Dia!

Um arrepio profundo.

- Bom dia...

Ela seguiu caminho sem olhar para trás. Miguel subiu as escadas com as pernas a tremer.

Porque é que o teu morder de lábios não me sai da cabeça, miúda? Não me fazes bem, pões-me a alma em alvoroço e o corpo dormente. Mas quero-te tanto que chega a doer passar por ti e sentir o teu perfume inebriante...vá lá torna-te vulgar. E tens um andar tão sexy! Vês? Fico com as ideias desconexas quando passo por ti. E isto tudo só com um bom dia...estou perdido.

Sábado, Outubro 13, 2007

Cap. 31

Letícia ouviu a campainha tocar duas vezes. Largou a roupa que estava a arrumar e dirigiu-se à porta. Abriu-a lentamente e espantou-se.

- Olá - Disse Miguel com simpatia.

Ele está ainda mais bonito que da última vez pensou Letícia, no entanto a afastou estes pensamentos rapidamente e respondeu:

- Olá, entra...

- Não, deixa estar, só venho fazer-te um convite.

Um convite?hum...o que é que ele quererá?

-Ah sim? Então, de que se trata?

-Vens jantar fora comigo, hoje.

-Desculpa? Isso não me pareceu um convite....

Ele pegou-lhe na mão e aproximou-se para lhe sussurrar ao ouvido: "não aceito um não como resposta".
Ela sentiu o tom de desafio e, sem saber porquê, gostou.

-Às 8h venho buscar-te.

Piscou-lhe o olho e ela viu-o desaparecer atrás da porta da frente.


Tudo aquilo era estranho, nunca tinha saído com ele. No entanto, às 8h estava dentro do vestido preto sem saber o que pensar. A campainha soou. Ela abriu relutante e viu o Miguel que ela conhecia de blazer e extremamente apetecível. Seguiu com ele para o restaurante sem fazer objecções.
O jantar correu sem tumultos e pela primeira vez conversaram como bons amigos. Depois da refeição foram a um café e por entre risos e palavras soltas ele disse-lhe:

-Hoje vou roubar-te um beijo.

Ela sorriu e, não sabia se era do vinho branco ao jantar, estava a adorar cada momento.
Chegou a altura de ir para casa. Ele acompanhou-a à porta, esperou que ela a abrisse e disse:

-Gostei muito da noite...

-Eu também!- disse ela com um sorriso constante, viu-o despedir-se e dirigir-se à porta dele.

-Não te falta nada? - ela não podia aceitar que acabasse assim, só assim.

Ele virou-se, desenhara um sorriso maroto no rosto. Voltou para perto dela e pousou languidamente a sua mão na cintura bem delineada de Letícia. Inclinou-se com a certeza de que ela não resistiria.

Os seus lábios tocaram-se e as sensações que este toque provocou foram mais intensas do que ambos previram. Ele puxou-a para si com a vontade e o desejo na ponta dos dedos. Queria tocá-la, saboreá-la, sentir cada centímetro de pele estremecer de prazer nos seus braços. E sentir os seus lábios entre os dela, as línguas perdidas numa líbido quase incontrolável, tornava aquela situação difícil de aguentar.
Letícia sentiu que Miguel a conduzia para o quarto entre beijos sôfregos e gulosos.
Com suavidade, Miguel fez deslizar o vestido preto até ao chão, as suas mãos puderam assim deliciar-se com a pele que antes estava escondida.
Inesperadamente Letícia obrigou-o a deitar-se de costas na cama, trepou para cima dele, colocando estrategicamente o seu joelho entre as pernas dele, provocando-o. Aquela sensação de poder agradava-lhe.E era claro que ele também estava a gostar...

Sábado, Setembro 15, 2007

Parte XXX -30-

Na viagem de regresso vi-a morder, sub-repticiamente, o lábio inferior por duas vezes.

Não conseguia parar de a imaginar a caminhar languidamente na minha direcção.

- Não queres revelar nada sobre a surpresa?...Nem uma pequena pista?

- Nadinha...depois vês!

Quase tive que me conter para não exagerar na velocidade. Quando chegámos deixou-me abrir a porta e encostou-me à parede beijando-me com sofreguidão, as mãos a segurarem-me firmemente contra o espelho do hall de entrada.
A partir dali já sabíamos o que se ia passar...mas, subitamente, conduziu-me e atirou-me para o sofá da sala.

- Esperas vinte segundos?

- Vão parecer uma eternidade!...

Ela lançou-me um olhar maroto e sorriu. Fiquei a apreciar o balanço das suas ancas inebriado pela sua sensualidade...Sem saber o que fazer mantive-me na mesma posição até ouvir os seus passos ritmados a aproximar-se do sofá.

Ao levantar os olhos não estranhei a sensação de novidade, por muito que olhasse para o belo pijama o meu espanto não diminuía. Mas ainda assim havia algo de diferente, pela primeira vez aquela mulher à minha frente não me fez lembrar a verdadeira dona do pijama, sentia o meu pensamento afastado da Letícia e isso fez-me sentir bem.


Talvez fosse pelas meias de liga e os saltos altos...apesar de achar que não condiziam com o indecente pijaminha dava-lhe um toque estranhamente sensual, como se ainda houvesse muito para mostrar...e havia.

Levantei-me e quis tocar-lhe, acariciar-lhe a pele suave e fazer deslizar o algodão azul até ao chão. Porém, a Ana afastou-se de mim e fez-me um gesto para que me voltasse a sentar. Obedeci sem perguntas, recostei-me...e fiquei a vê-la despir o maldito pijaminha que já na carpete me soube revelar o tão esperado segredo. Uma lingerie preta em perfeita sintonia com o resto dos acessórios. Paralisei. Esqueci por completo toda a magia que um dia tinha reconhecido naquele pijama. O resto seguiu-se como eu tinha imaginado...ou talvez de forma ainda mais intensa.


E na manhã seguinte havia aranhões superficiais na minha pele e um chupão bem marcado no meu pescoço. E quando, ao passar pela sala, olhei para o pijaminha senti que era hora de ser devolvido.

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Parte XXIX

Com toda a coragem que conseguiu reunir pegou no telemóvel. O gesto já fora repetido tantas vezes que nem pensou, das outras vezes tinha desistido antes que do outro lado o telefone tocasse. Desta vez não, iria até ao fim.

- 'tá? Olá...estás boa?

- Sim, e tu?

A voz dela estava fria e a dele trémula. Já esperava agressividade da parte dela, mas nunca previra o tom de desilusão que sentia naquela voz que já lhe sussurrara ao ouvido tantas vezes...Continuou apesar de todos os pensamentos lhe negarem a coragem.

- Estou bem...olha, queria explicar o que se passou no outro dia...

- Estás à vontade!

Ela provocava-o sem piedade. Era por estas atitudes que Letícia sempre fora um desafio para ele.

- Desculpa...não queria magoar-te ou ofender-te, de maneira nenhuma! Mas naquele dia eu estava extremamente cansado...não ia ser o mesmo, não conseguiria dar-te o melhor de mim...e tu sabes que não estás habituada a ter o mediano...

Desarmei-a, pensou. Pode ser que não faça muitas perguntas e que se contente com esta explicação. No fundo sabia que ela nunca iria acreditar naquilo, mas mesmo assim não desistiu.

- Hum...para a próxima lembra-te que tu até poderias ser "mediano" mas eu poderia ser extraordinária. Não tenhas tanta sede de protagonismo, 'tá?

A resposta não se fez esperar, seca. Ele forçou uma gargalhada e concordou tentanto fugir ao assunto.

Quando desligou o telemóvel ficou com a certeza que era ele que estava errado, ela podia de facto ser ainda melhor sem o pijaminha por perto...não tinha forma de saber, nunca experimentara! Sorriu para si e prometeu mentalmente nunca voltar a cometer tal erro.

Quinta-feira, Julho 26, 2007

Tentação ( parte XXVIII )


Os olhos impecavelmente delineados a preto, as pestanas estendidas pretensiosamente na ponta das pálpebras, o verde espraiado na retina que me fitava. E sorria, aquele sorriso de quem sabe os estragos que provoca…tinha a pele beijada pelo sol, os ombros escuros e dourados, os lábios carnudos mas sem baton. O cabelo…ah! O cabelo caia-lhe em cascata pelos ombros e costas, as ondas negras conduziam ao decote generoso. Uma perdição e eu estava a ficar desorientado. Nunca a tinha visto assim, tão linda. Não a vira vestir-se por isso era uma surpresa redobrada vê-la tão produzida para mim..só para mim. Aquela mulher era uma tentação, a minha tentação.

E de repente lembrei-me da Letícia, ela nunca faria isto. Lembrei-me dos ombros morenos dela nos nossos tempos de adolescentes, os mergulhos divertidos na piscina municipal.

A Ana tocou-me na mão e fez-me voltar a realidade, pediu-me ajuda para escolher o menu e depois de ter falado com o garçon, virou-se para mim.

- Hoje tenho uma surpresa para ti.

- Uma surpresa? Hum…Não queres dar-me uma pista?

- Não…vais esperar até logo.

Sentia o coração bater mais forte só de imaginar a noite escaldante que se avizinhava. Não consegui parar de a visualizar com o pijaminha azul indecentíssimo a caminhar na minha direcção, os saltos ainda calçados. Tinha casado com uma mulher lindíssima.

Conheci a Ana na faculdade depois de ter acabado uma relação acalorada com a Letícia…E a Ana soube apagar tudo o que ainda me prendia à desafiante Letícia, ou pelo menos soube esconder tudo o que eu sentia ainda por ela.

Mas acabei por encontrá-la, sete anos mais tarde, quando fui a casa dum cliente. Era vizinho dela, fiz o possível e o impossível para que ela não me visse quando me apercebi de que era ela. O seu vizinho Miguel é neto de um velho magnata muito rico e o seu avô pediu-lhe ajuda com o testamento, queria um advogado para tratar das coisas. Mas numa das visitas que lhe fiz toquei no assunto da bela vizinha e fiquei ali, petrificado, a ouvir tudo o que ele sabia, sentia e queria dela. Nesse momento senti a inveja roer-me os órgãos internos mas aguentei-me…foi só quando ouvi falar no pijaminha que tive a certeza que ele teria de ser meu!...talvez para que também ela voltasse para mim.

Mas um misto de arrependimento e pena apoderou-se da minha mente naquela noite, a mulher que eu tinha escolhido para mim estava impressionantemente linda e eu ia aproveitar cada segundo. Já previa a continuação daquele jantar na minha cabeça, já quase era capaz de ouvir os gemidos dela, de sentir as suas unhas suaves deslizarem inconscientemente pelas minhas costas, já quase sentia os seus dentes cravados no meu ombro num culminar de sensações de prazer…Ela merecia-o e eu também.

Quando saímos do restaurante não conseguia pensar noutra coisa…foi quando reparei que, reflectida no tejadilho do carro, estava uma lua impecavelmente cheia.

Sabem o que dizem sobre a libido das mulheres em noites de lua cheia, não sabem?

Domingo, Julho 22, 2007

Parte XXVII

E agora?

Como dizer-lhe que tinha perdido o desejo...não, também não era assim...ela é tudo de bom...fico louco só de pensar naquele corpo...

Mas é difícil explicar, sem o pijama azul com ela, sinto-a tão vulgar....e naquela noite não quis levá-la para a cama porque não quis fazê-lo como uma obrigação, sei bem que não ia ser o mesmo, nem sei bem como tenho a certeza disto, mas tenho. O problema é que não há forma de lhe explicar isto, de a fazer perceber que gosto dela, mas que o pijaminha que ela tinha lhe dava um sabor diferente, exótico, irresistível...e que eu preciso disso para continuar a manter a chama acesa...

Amanhã ligo-lhe.

Segunda-feira, Julho 16, 2007

O número para o qual ligou não se encontra disponível. Deixe a sua mensagem após o sinal.


Estou?...Olá. Sou eu. Tudo bem? Bem, liguei para saber como estavas, não entendi o que se passou na outra noite, estavamos a ir tão bem e de repente foste-te embora. Tenho saudades tuas sabes?!Nossas...
Hm. Liga-me então quando... quiseres ver-me. Beijo.


E desliguei.

Terça-feira, Maio 29, 2007

Blog com Tomates


O blog O Avesso dos Ponteiros ofereceu-nos o prémio blog com tomates! isn't it cool?? obrigado!!!


Agora nós, suponho que estes serão as escolhas mais óbvias, mas colegas de blog se estiver errada censurem-me!!


Camisinha Xocolatxi


Horas e Horas


Pacote 33


Eu também falo com a Eliza


Empanicados


=)

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Parte XXV

04h00, Casa da Letícia

Ela está sentada no chão da sala, o corpo encostado ao sofá azul. A mente cansada e confusa divaga...lembra momentos tórridos de uma noite sem fim.

Todo o clima de sedução, a música a funcionar como íman e a aproximar os corpos quase involuntariamente. O ritmo a sugerir movimentos sensuais...



Era uma noite como as outras, ela tinha saído para se divertir sem pensar em encontrar alguém que lhe aquecesse a alma e o corpo. Mas ele estava lá, o vizinho com quem já não falava há tanto tempo.



Aproximou-se como um desconhecido e sussurrou-lhe um “olá” familiar ao ouvido. O toque da sua respiração no pescoço dela foi o bastante para lhe provocar uma reacção acesa pelo corpo todo. Dançaram como cúmplices do pecado que inconscientemente já sabiam que iam voltar a cometer.



As mãos dele deslizavam com astúcia pela cintura dela e revelavam a arte de quem conhece a força do desejo. Os lábios sensuais encostados à pele quente e delicada do seu pescoço...e ela lembra os seus lábios sequiosos e palpitantes de cada vez que o calor dos corpos unidos a fazia querer mais.



Toques, beijos...como se fosse a primeira vez que se encontravam.



Mas havia algo de diferente, algo que faltava. Ao chegarem a casa, o desejo dos dois sabia o rumo a tomar...No entanto, ao entrarem em casa dela, ele parou-a e sem grandes explicações disse que não conseguia e desapareceu atrás da porta de sua casa.



Letícia revolvia as memórias sem saber o que pensar. Sem dar conta e sem perceber porquê lembrou-se de que alguém lhe tinha roubado o seu pijama mas não acreditou que tinha sido ele.

Domingo, Maio 06, 2007

A primavera chegara por fim e acordara-lhe os sentidos.
Ele ficara estranho contudo.
Desde essa fatídica noite de escaldantes roços no tapete quente da sala, ele parecia evita-la... O receio do toque, o beijo frio a medo, os olhares comprometedores como se a olhasse pela primeira vez, distante, diferente.
Tentara iniciar diversas conversas que lhe descortinassem o porquê daquele espírito inquieto agora, tanto tempo depois, mas os seus olhos fugiam dos dela, como se lhe furassem uma alma que ele julgava estar corrompida até ao final dos seus tempos...
Ela dava voltas em casa, sozinha, às escuras, pensando e repensando o poderia ter feito de mal. Ele uivara de prazer quando ela o segurara firme com ambas as mãos, derretendo-se por inteiro sob um corpo moreno e pouco sereno. O seu sexo pulsara nas suas mãos e ela sabia que determinara assim a velocidade, a intensidade, a profundidade do bater daquele coração.
Ainda que de uma forma rude e grosseira, pouco romântica ou idílica, ela determinara o seu ritmo, fazendo-o gemer e contorcer-se, deixando-o expôr-se a seu bel prazer...
Tal tenha sido isso, pensou, sentiu-se invadido, violei o seu espaço sexual, exigi demasiado...
Não exigira. Mas quem se daria agora era ela, expondo-se, fazendo de si marioneta de um prazer bruto e fero, que chegaria pelas 21, vindo do escritório.

Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

Parte XXIII

Perdida no tempo recordava momentos de leveza quase irreais…
Porque estaria aquele presente tão bem escondido…e quando ele me viu pareceu tão surpreso...mas adorou e amou-me como jamais me tinha amado e eu senti-me tão bem naquela peça de roupa, que estranho, há anos que não me sentia tão confiante! Ele foi tão carinhoso…a suavidade com que se passeou pela minha pele…a sofreguidão apaixonada dos seus beijos, o ritmo dos corpos, o peso do desejo sobre o sofá…


E sem se dar conta sorria.

- Ana!...Ana!?!?

- Ahn? Desculpa… não estava cá..

-Pois, pois…é hora de almoço, vamos àquele restaurante chinês que abriu agora ao fim da rua?

-Sim pode ser, vamos então.

-E vais explicar-me no que é que estavas a pensar, estavas com um sorrisinho!

Saíram do escritório e começaram a curta caminhada até ao final da avenida.

- Oh o Ricardo ofereceu-me um pijama, mas é estranho porque parece que é mágico…tivemos uma noite fantástica ontem…

-Ah…isso explica o sorriso!!!

Entraram no restaurante a rir e sentaram-se numa mesa perto dum aquário. Já tinham pedido a comida e conversavam animadamente quando foram interrompidas por um rapaz magro de sorriso pronto que lhes fez uma pergunta:

- Desculpem a interrupção, mas precisava de uma opinião!!! Olhando bem para esta rapariga não dá logo para ver que ela tem tudo para ser feliz??? Um sorriso lindo, estes olhinhos sedutores…não acham que é um desperdício estar a sofrer por causa de um homem?

Ele falava desembaraçadamente e a pobre rapariga permanecia ao seu lado presa por um braço e extremamente envergonhada, o resto do grupo ria lá atrás.
Ana e a sua colega de trabalho responderam que ela era de facto bonita e que de certeza teria todos os rapazes que quisesse…E agora quem falava era a rapariga em causa:


- Desculpem a interrupção, eu sou a Letícia e ele é o Gabriel, um amigo meu…podem continuar a conversa agora. Com licença.

Letícia arrastou o seu amigo para a mesa e o grupo continuou a rir.

Ana não podia imaginar que a Letícia, aquela rapariga de sorriso lindo e olhos sedutores, era a verdadeira dona do pijama que lhe tinha proporcionado a melhor noite da sua vida.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

O frio caía finalmente sob suas casas, num ano tórrido de reincidente adultério, como que pedindo que a expressão desse calor cessasse por fim...
Era altura de escolher o parceiro, para que deitados no tapete, reflectissem nas chamas cálidas da lareira, o fulgor com que se podem unir duas almas apaixonadas.
Num sofá, ele, introspectivo, pensava se teria escondido bem a dita peça de vestuário - dito assim parecia tão trivial... - que o votava ao ostracismo mas o impelia, simultaneamente, a uma atracção incontrolável, e bebia um cálice de vinho do porto.
Ela, encostara-se, semi-nua, ao umbral da porta e emitira uma leve tosse, típica de quem, subtilmente, procura convocar o olhar do outro presente.
Quando ele olha, horrorizado, percebe que ela O traz vestido...

-Como o encontraste?
-É para mim?
-Erm... claro!

Ela avança, pequena diaba, até ele. Nunca a vira assim, tão segura de si, tão vigorosa. Queria possuí-la em cada canto do seu modesto lar, tê-la como nunca a tivera...
Que poder tinha este pijama para garantir a cada mulher que o vestisse, uma sexualidade pujante e inegável que o atordoava e aflorava os sentidos??
Não precisa de A procurar nunca mais... Agora o Pijama era seu e vestido por sua mulher...
Tudo seria diferente agora, tudo mudaria...

Num movimento brusco, puxa-a para si percorrendo o seu corpo com as pontas dos dedos, deixando cair o copo, que ao entornar o veneno alcoolico que ele provara, iria manchar o tapete da sala, bem como o futuro daquele modesto casal...

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

O Sonho..

Mas, quando guardei aquele Pijaminha, senti que nunca mais serias meu...

Fui ter contigo naquela noite tão fria. Queria enrolar-me em ti, como antigamente. Deixar-me levar só pela vontade de me aquecer nos teus braços... E pensar que nada existe à nossa volta, só os lençóis que nos escondem. Levei o Pijaminha comigo. Afinal, era tão nosso como qualquer desejo de sermos um. Era cedo, mas o Outono de noites infinitas já se espalhava pelo céu.
Respiro fundo antes de olhar para ti.

- Ainda me queres?.. Eu trouxe-o..

Disseste que estavas magoado, mas eu insiti:

- Desculpa, foi sem querer... Pensei que já não o quisesses connosco..

Foi aí que tudo pareceu voltar para perto de nós. Então, abraçaste-me com força e mostraste que o teu coração ainda batia por mim. Beijaste-me o pescoço. As tuas mãos deslizaram por mim e eu suspirei. O prazer do teu toque era a única coisa que me movia. Dançámos na bruma da noite, anjos alucinados, perdidos na luxúria de sempre. Derretiamos um no outro, como se todo o chão fosse nuvem. Cada carícia, cada beijo, cada gemido.. tudo o que se passou naquela sala meio cheia de luar ali ficou, à espera de ser repetido outra vez..
Talvez depois do jantar..
O Pijaminha ficou deitado na cama, testemunha desta paixão desvairada. Foi ele que te fez de novo meu..



Mas é tudo ilusão.. Acordei e o sonho não estava à minha volta. Era só uma bolha que tinha agarrado, enquanto dormia. Alguém levou o meu Pijaminha.. Já não sei onde ando. Sem Pijaminha, o amor já não cheira a morango, nem sabe a chocolate.. E eu existo amarga e triste.. Onde andas, meu querido Pijaminha?..



Abram alas para a Caloira! xD

Quarta-feira, Outubro 18, 2006


A chuva caía forte e assustadora numa noite de Outono e os meus pensamentos são levados para além do meu consciente, navegando por mares serenos e penetrando nas profundezas das montanhas do meu desejo. Entro num estado de submissão autêntica, deixando-me levar pelas minhas memórias mais remotas… Aquela suavidade que me tocava o corpo e me fazia sentir que o Mundo inteiro era só nosso, aquela tentação divina de te ter junta a mim, o respirar ofegantemente, tremendo de excitação. Contudo o Mundo que outrora fora nosso, desabara para sempre para mim, a desilusão que me causaste foi devastadora aos olhos do meu coração frágil e esperançoso. Quando olhei para ti naquele dia de chuva, tu eras outra, não eras aquela que eu conhecera no passado, que me fazia sentir mais do que especial, que me levava até ao àquele planeta tão longínquo, que eu conquistara, que me dava um calor humano tão forte que me apetecia devorar esse corpo de princesa de uma só vez, através de um impulso tão grande que me faria atingir o clímax que eu tanto desejava ansiosamente e que tu, desesperada, gritavas alto o meu nome para que os deuses o ouvissem. Aquelas noites eram realmente divinas, imortais, infinitas, plenas de prazer, mas quando te vi naquele dia sem o pijaminha vestido e quando o arrumaste no velho armário sujo do sótão, todos os meus sonhos voaram ao sabor da tempestade, refugiaram-se nos abismos mais profundos, num inferno para nunca mais voltarem. Nunca esquecerei tamanha tristeza que me fizeste sentir, a vontade de não continuar a viver! Eu não merecia isto pijaminha…


João Guilhoto

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

Parte XIX

E aqui sentado a ver o mar, deixo a minha imaginação discorrer sobre tudo e sobre nada...mas leva-me sempre ao mesmo ponto, aquela imagem, aqueles momentos tão vivos que quase se tornaram memórias para mim.

Ela chega, bate três vezes à minha porta, eu demoro uns segundos a abrir e tenho um ramo de flores na mão, ela traz o vinho...tinto. Está linda e sorri só para mim...como nunca fez...ela entra, agradece as flores mas deixa-as em cima da mesa. Jantamos algo que eu preparei durante toda a tarde e depois sentamo-nos em duas almofadas colocadas estrategicamente em frente à lareira acesa...agora que o verão acabou vai saber bem aquecer a noite...conversamos, ouvimos música. Naquele momento não existimos para mais ninguém.
Ela encosta a cabeça no meu ombro e eu beijo-lhe os cabelos, ela pede-me mais e procura os meus lábios...e os dela são tão suaves! As mãos dela deslizam até aos botões da minha camisa e eu impeço-a de continuar. Levanto-me e trago-lhe quele delicioso pijama azul e peço-lhe que o vista...fica tão linda, tão indecentemente irresistível que até tenho pena de lho despir, mas a sua pele pede-me carícias e eu tenho que ceder...


Ah!...Se ela soubesse que sou eu que tenho o pijaminha e não aquele vizinho ordinário que ela tem!

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

memórias de um pijaminha indecente

Envolto num profundo desgosto, vagueio pelo meu inconsciente, essa parte do psíquico que reserva a insanidade do meu eu, em busca de memórias do pijaminha…
Lembro a calorosa noite que se fez sentir há umas semanas… Ela passeava pelo terraço da casa ostentando apenas essa peça de roupa tão… trivial. Mas era mais do que isso. Era um pedaço de pecado que eu estaria tentado a não resistir.
Depressa o fascínio da observação foi ocupado pelos jogos de sedução naquele terraço propício a momentos tórridos… Corpos nus eram palco num cenário de suores frios e suspiros ofegantes… Línguas quentes que percorrem as saliências melhor esculpidas da fisionomia humana… A perfeita união dos corpos ao ritmo da intensificação orgásmica dos ecos do prazer…
Troca de fluidos, mistura de sentidos, pensamentos perdidos…
Ai!, pijaminha insensato… o teu aroma, a tua textura… pedaço de loucura, tentação.

Terça-feira, Setembro 26, 2006

- Preciso falar contigo. Vem imediatamente ter a minha casa. Não aceito desculpas.

Biiiip…

- Desligou-me o telefone na cara…Ela nunca me faz isto! – pensou ele – Deve ser algo mesmo muito grave…Talvez seja melhor ir ver o que ela quer e preparar-me bem. As mulheres quando estão assim são muito perigosas…

Vestiu-se apressado e caminhou em direcção àquela casa que ele tão bem conhecia. Bateu à porta na esperança de que nada se passasse mas mal entrou sentiu que ela não estava nada bem.

- Vim logo que pude. O que se passa?

- O que se passa??!! O QUE SE PASSA?!?! – gritava ela vermelha de fúria – O que se passa é que tu não respeitas nada! Sim, não faças esse olhar de desentendido que eu sei muito bem que te aproveitaste da minha ida de férias para vires ao meu apartamento buscar o pijaminha. Não te dou esse direito ouviste?!

- Mas eu…

- Mas tu nada! Devolve-mo JÁ!

- Mas eu não tenho o pijama. E estou tão perturbado como tu com esse desaparecimento! Sabes bem o quanto eu amava esse pijama. Sabes bem que sem ele nada faz sentido… Nada… Precisamos de encontrar o responsável!

- O quê? Não foste tu? Então e o bilhete??

- Que bilhete?

- Aquele que me deixaste… dizia: "Não te encontro. Tive de vir buscar uma parte de ti. Quando voltares procura-me para to vestir. Só contigo ele ganha vida e cheiro. Volta depressa." E estava junto de flores de jasmim…tal como tu me costumas dar.

- Juro-te que não fui eu…

- Não consigo confiar em ti. Desaparece da minha vida.

- Não estás a ser razoável…

- Nunca fui.

- Podias tentar…

- Tentar faz-me dores de cabeça. Desaparece!

- Vou-me embora porque já vi que estás nervosa… Telefona-me quando melhorares.

O barulho da porta anunciava a sua partida mas ela continuava prostrada na cama sem saber o que pensar.

Teria sido ele? No entanto parecia dizer a verdade… Então quem poderia ter sido? Ninguém sabia da existência do pijaminha… Ou pelo menos era o que ela pensava. Talvez alguém a andasse a espiar! Só de pensar nisso os seus cabelos arrepiaram-se… Terrível ideia, contudo, possível.

Não adiantava pensar nisso agora, teria de arranjar um plano e enquanto isso tinha de esquecer aquele vazio…

Whisky on the rocks, please.

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Chegara a hora de enfrentar a situação.
Que desagradável era voltar de férias e ter de encarar memórias que tinham derretido com o calor do sol ou ficaram cristalizadas contra a toalha de praia a par do sal do mar...
As lágrimas caiam e purificavam a terra imunda que jazia no chão, já gelado, à medida que ela apanhava o rasto de destruição que uma obsessão deixou para trás. As flores, sem vida, também choravam. Haviam experienciado uma fúria pela qual não eram responsáveis. Na realidade ninguém era, nem ela, que as tinha deixado ali caídas, para morrer.
«Isto tem de mudar - pensou - Isto não é vida para ninguém...»
Não podia manter alguém assim na sua vida. As pálpebras fechavam-se de cansaço e dor. A cabeça latejava e ela, a medo, pensava até onde iria aquele indivíduo que ela tinha posto dentro de casa.
Engraçado como com perigo eminente nos tornamos racionais o suficiente e conseguimos rapidamente pôr de parte a parte emocional que nos leva a errar tanto. Os momentos que viveram eram uma parte da sua vida que não queria apagar, mas ela não conhecia mais a pessoa que arrombara a sua porta daquela maneira. Já não confiava nem podia confiar...
Ao arrombar a porta da sua casa arrombara também a porta que lhe garantia uma entrada segura e consentida na sua vida. Partira-lhe as flores em busca de um prazer terreno, qual bruto, ávido, sedento animal.
Ele partira-lhe as flores, ultrapassou a barreira do razoável. E isso ela não perdoaria.

Agora a história era outra....

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Parte XV

«- Oh! Meu Deus!»
«- Pois é, menina! Eu não queria incomodar mas achei que era um assunto que tinha que ser a menina a resolver. Nem chamei a polícia!»
«- Fez bem Dona Isabel! Eu vou p’raí assim que arranjar comboio, mas tenho que acertar as coisas com os meus colegas. Olhe…eu já lhe ligo para confirmar, pode ser?»
«- Pode, pode! Até logo.»
«- Até logo e obrigado!»



Eu não acredito, ele é louco! Vai pagar o arranjo da porta, ai vai! E eu não quero voltar já para casa, se o fizer ele vai conseguir o que queria!



«- Passa-se alguma coisa?»
«- Nada de grave, era a porteira lá do prédio, os vasos da minha varanda caíram com o vento. Ela queria saber quando volto e o que fazer.»
«- Ah! Mas achas que tens que voltar tão cedo?»
«- Não! Eu fiquei de lhe voltar a ligar, vou pedir-lhe que tome conta das coisas por mais uma semana.»
«- Ok, mas se for preciso ajuda, ir deixar-te ao comboio por exemplo…’tás à vontade!»
«- Obrigado Marta, mas não vai ser preciso!»



Não vai levar a melhor, vai ter que ficar agarrado ao pijama por mais uma semana…



«- Estou? Dona Isabel?»
«- Olá menina, então já decidiu?»
«- Pois. Olhe, a sra. Consegue controlar as coisas por mais uma semaninha? Eu depois chamo alguém para compor a fechadura, não se preocupe!»
«- Sim sr.! Não há problema. E o que é que faço às flores?»
«- Nada, D. Isabel, deixe-as estar…»
«- Pronto, a menina é que sabe!»
«- Obrigado mais uma vez e até para a semana!»
«- De nada, adeus!»

Domingo, Julho 23, 2006

«-Estou sim menina, desculpe lá chateá-la durante as férias, mas surgiu um problema

Era a porteira. Que chatice, que se terá passado?

«-A noite passada alguém arrombou a porta e entrou em sua casa.»

«-Oh meu Deus, levaram ou partiram alguma coisa???»

«-Sabe menina, algo de muito estranho se passa. É que alguém deixou flores de jasmim e um cheirinho delicioso por toda a casa e um bilhete em cima da cama. Diz:
"Não te encontro. Tive de vir buscar uma parte de ti.Quando voltares procura-me para to vestir. Só contigo ele ganha vida e cheiro.Volta depressa."»

(...)

Segunda-feira, Julho 17, 2006

Parte XIII


O teu toque tão suave, tão inesperadamente delicioso. A primeira vez que me viste…não, a primeira vez que olhaste para mim, adormeceste os olhos no meu corpo e ficaste encantado com o meu pijama. Esse pijaminha indecentissimo. E aquele fim de tarde repetiu-se tantas vezes. Chegavas cansado, batias à minha porta com arrogância e quase nem falavas, eras consumido pela aura erótica do desgraçado do pijama. Um dia disse-te que o ia deitar fora, destituiste-me imediatamente da ideia…acho que gostas mais do pijama do que de mim.
E agora imagino-te desesperado a vigiares a minha porta à espera de uma notícia, um contacto…mas nada. Eu estou de férias com amigos, e como nunca procuraste mais formas de me contactar, vais esperar e quem sabe desesperar até que o pijama e a sua dona voltem para trás dessa porta de madeira que olhas saudoso.

Quinta-feira, Maio 11, 2006

É difícil crêr que me entreguei assim...
Nunca fui quebra-corações, nem chegava às festas arrasando-as, cumprimentando este, aquele ou o outro.
Sempre fui do tipo recatado e eis que me vejo a entrar no seu apartamento, sem quês nem porquês e atiro-me a ela avidamente...
Como é possível? Que tipo de mulher é ela? Uma beleza exótica... Um cheiro...
Sinto-me vivo para um leque de sensações que nunca havia experienciado.
O seu cheiro ainda está na almofada onde adormecemos, cúmplices, depois de uma tórrida noite de... conhecimento mútuo.
Nunca vivi nada assim, e nunca nada me pareceu também tão doentio.
Não é só ela que me provoca algum orgásmico desconforto... há algo nela... ou algo dela absolutamente aliciante...
O jogo de sedução que montou ao despir aquele pecaminoso pijama tirou-me do sério...
Receio os sentimentos que esta mulher e tudo o que ela respira podem despertar em mim.
Mas como qualquer misto de agridoce vício, não me consigo despegar dela. A miscelânea de fluídos e sentimentos partilhados criaram um vínculo magicamente construído de maneira a conduzir os meus pés, inadvertidamente, na sua direcção.
Estou entregue a algo em que nunca quis acreditar, um fado que não pedi, uma vida que não sonhei...e nunca nada soube melhor.

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Memórias... ( parte XI )

Uma gota de água fria no lábio inferior e não consegue dormir. Às voltas nos lençóis as lembranças são recorrentes, estava ali no colchão (sozinha) por causa dele, o maldito pijaminha! O protagonismo do conjuntinho armado em sexy, azul e suave, começava a irritá-la profundamente. No entanto sabia que precisava dele, de o sentir em sintonia com a sua pele para desfrutar em pleno, para conseguir a ligação imperturbável porque tanto ansiava.

Os pensamentos atropelam-se. Já tinha posto a hipótese de se ver livre do pijama porém, aquilo que a consumia não poderia ser resolvido tão simplesmente. Aprender a controlar a influência do pijaminha parecia fácil, mas já conhecia o amargo sabor da frustração...e às voltas na cama repetia que desta vez ia ser diferente.

Uma imagem tão nítida.
Era domingo, em pleno verão. Ela estava em casa, sozinha. Tocaram à campainha...Inconscientemente foi abrir, o cabelo apanhado, só com o pecaminoso pijama no corpo e os pés descalços na madeira.
- Olá...
- Er..Olá.
Era o vizinho do apartamento em frente, alto, cabelo castanho claro, olhar tímido, mas lábios tentadores. Ela tenta falar mais...Envergonhada tentou alcançar a primeira peça de roupa que conseguiu e veio ao encontro da sua mão o casaco de ganga, mas antes que a pudesse vestir, já a mão dele percorria a sua cintura e os seus olhos, outrora tímidos, transbordavam desejo. Sem saber o que dizer, sentiu-se avassalada pela sensualidade dele e quando voltou a si, estava envolvida num beijo intenso e a sua porta já estava fechada...
(Sim já tinha visto aquele filme antes. Sabia que acabava no sofá dele, com o pijaminha no chão.) As mãos passeavam sem pudor no seu corpo, contornando cada curva, abraçando cada insinuação mais sensual, sem qualquer respeito ao pijaminha que foi despido, indecentemente, entre beijos e carícias. Ela tentava afastar de si aquele ser enlouquecido pelo desejo e de quem ela nada sabia.


O primeiro contacto, uma loucura. E horas depois estava ela a sair daquela casa para entrar na da frente, com um sorriso comprometedor nos lábios. Sim, tinham conversado, tinham rido até...Ele tinha-a convidado para lanchar e ela adorara os crepes dele. Até chegar a porteira com a chave suplente.

Lembra-se perfeitamente do som dos seus passos ao sair. Tenta afastar a memória, mais uma volta na cama...E exausta adormece...

Segunda-feira, Maio 08, 2006

O destino?

E o Destino quis que eu te visse naquela manhã chuvosa.
o problema é que eu não acredito no destino.
O Destino quis que saíssemos na mesma paragem, que fôssemos pela mesma rua, para o mesmo prédio. Quis que tu gostasses da casa e quis que te mudasses para lá nessa mesma semana com esse maldito pijama azul na mala.
o destino é para tolos!
Que tivesses fixado a minha cara e sem qualquer intenção aparente me tivesses deixado entrar, de mansinho, na tua vida.
mas o destino não existe!
Que a corrente de ar te tivesse deixado fora de casa, sem chaves, mas com o fantástico pijaminha, claramente uma fantasia obscura que agitava os meus pensamentos num intenso frenesim. Que a tua voz rasgasse em mim uma nova vida. Que eu estivesse pré-Destinado
pré-destinado?
a passar naquele momento em que te mostraste, vestida, irremediavelmente despida à porta de tua casa. Que, como se nada melhor tivesses para fazer, me beijasses. Assim. Despreocupadamente. Queimando-me ao mais leve toque dos teus lábios, dos teus dedos na minha pele. Um turbilhão de imagens se impusesse. Imaginava-te nua, vestida. Com pijama, sem pijama, pouco importava.
só o Destino.
Secretamente perdi-me ali. Em ti. E jurei acreditar para sempre no Destino que te pôs no meu caminho.

Terça-feira, Março 28, 2006

Obsessão..

Obsessão..

Quão ténue é a linha que separa o ódio do amor...Mas que linha sequer os separa?Qualquer desenho de limite se perde, por entre o nevoeiro obscuro das obsessões; aquelas cujos novelos de arame farpado nos prendem os pulsos e nos rasgam a visão - verdadeira cegueira - Aquelas que apenas nos fazem ver aquilo que queremos ver, ouvir aquilo que queremos ouvir, mas sentir tudo aquilo que não nos evitamos sentir. Aí todo qualquer esboço de barreira será apenas o da irracionalidade.

Desejo. Comprimir. Morder de lábios.Cravar de unhas em punhos cerrados. Preto e vermelho. Baixar de olhos. Um calor na respiração. - fogo em todo o sistema respiratório. Um contorcer de entranhas - ácido em todo o sistema digestivo.Febre, febre.Um suor nervoso escorrendo por todas as veias e artérias em sangue rápido e grosso, deslizando pelas palmas das mãos em clausura obrigatória.

Negação, oh doce negação!Fúria verdadeira. Desculpas inquietas no tremer das pupilas dilatadas. Raciocínios atabalhoadamente formulados na vergonha de um orgulho ferido.
Quão orgulhoso é o ser humano e quão patétitcamente se debate contra o emaranhado de todas as emoções e quereres que não consegue controlar!Quão desesperadamente procura encontrar-lhe substituos mais práticos e confortáveis.Mentiras cómodas bem à mão. Outros sentimentos forjados.Outras falsas obsessões.



Ele estava sentado no comboio, junto à janela como sempre - para aproveitar os fracos de raio de sol de fim de tarde, na sua cara branca de Inverno, por bronzear - que ele, amante apaixonado do Verão, tanto detestava.
Estava sentado e sorria. Um brilho vitorioso no seu olhar - espelho cintilante do real humano animal (aquele que tentamos sempre esconder na purpurina convenientemente bonita dos sentimentos - chimpazé gigante com um lacinho cor-de-rosa.
Ele sorria, convencendo-se das mentiras preciosas que se impingira - mosca espernejando na lâmina de vidro sobre o olhar cruel do seu observador - convencendo-se que não era o desejo pérfido por aquela peça indecente que o consumia, negando-se à obsessão (ao seu olhar hipnotizante que o enlaçava).
Convencendo-se que era dela - simples manequim do seu verdadeiro pecado - que sentia saudades. Convencendo-se de que era por ela que de facto estava arrependido, que era por ela, pelas sua lágrimas sinceras, pelo seu amor infantil, a pena que realmente sentira pelo dia em que ela partira (e o levara com ela - o segredo que tanto odiava amar - O Pijama).
Estava sentado e recordava. Inventava lembranças, talvez.Aquelas que suportavam a sua tese de paixão (aquelas em que fingira ser pela sua pele bonita - sim, ele sabia que era bonita - que as suas mãos tremeram de prazer.
Estava sentado, de olhos fechados, e voava...Voava até ao primeiro dia em que aquela pequena e aparentemente inocente peça de roupa haveria pela primeira vez tomado o molde da sua vida...

Domingo, Março 05, 2006

Pijaminha Indecente – Parte VIII


…Porque esperas, pequena sereia minha, para que me chames e me obrigues a rejubilar de novo com o teu arfar no meu pescoço? Esse teu pijama, esse teu invólucro que mexe comigo como nada mais o faz…
Perco-me se te vejo com ele vestido. Ele que te sente e te veste como eu jamais o conseguirei. Amo-o e odeio-o quase com a mesma intensidade. Ele que te possui sempre, a cada nova noite em que mais uma vez tu o deixas penetrar o teu ser, tornando-se a tua nova pele.
Maldito pijama indecente que guardas com ardor. Se o vejo sozinho, lançado no chão enquanto nos amamos, confesso que esboço um esgar de contentamento. Aí, só aí és só minha. Nenhuma outra pele ou barreira se porá entre nós e serás meu pertence…
Mas pobre pijama indecente, se sem ti nada revela ser. Perde a cor, perde o brilho. És o sol que aquece o seu Outono, és tudo aquilo que justifica a sua existência. Mas não mais ele estará no meu caminho. De todas as noites que chego e num impulso o arranco do seu esbelto corpo moreno e sedoso, ali fica esquecido, qual pedaço de trapo abandonado, enquanto que tu gemes de fulgor e deleite.
Geme ela por ti pijama amigo? Longe disso me quer parecer. Seu arfar e lânguidos gritos são meus e meus serão pois eu me faço e desfaço para lhe dar este mundo e o próximo, e os que virão depois do último.
Só a mim ela olha e contorce lábios e os trinca e brinca com os cabelos. Só por mim ela passeia a sua figura nua sem véus nem armaduras…e a ti pijaminha, o que faz ela por ti que justifique esse teu olhar misterioso e arrogante…diz pijama malvado, que faz ela para que te coles ao seu mágico físico e não tires essa presunção de tecido provocador? Toca-te quando não estou a ver? Faz-te festas de mansinho para que fiques com ela nas noites em que não venho? Que te diz ela à noitinha, quando meu sono vai alto e ela me mira de soslaio? Fala comigo pijama indecente, diz-me aquilo que eu nunca vi!...

Domingo, Dezembro 25, 2005

Pijaminha Indecente - Parte VII

Acordo. Já é dia e sinto ao meu lado o calor de outro corpo. Ela dorme descansada, longe das preocupações que me assolam o espírito em chamas. Pela janela entreaberta começam a entrar os primeiros raios de sol indiscretos e as cortinas balançam-se levemente, da mesma forma que as ancas dela se haviam balançado sobre o meu corpo nessa noite quente. Dou por mim de olhos fechados e afugento de imediato esse pensamento, mas na minha memória persistem formas difusas de prazer e sombras maliciosas de paixão. Os pêlos do pescoço arrepiam-se - será do vento da janela? Levanto-me nu e dirijo-me até ela para a fechar, talvez na tentativa de prolongar indefinidamente a estadia neste inexpugnável Éden terrestre, longe de qualquer interferência exterior à concha criada. Afasto as cortinas e espreguiço-me. Estou a olhar para a pérola da concha, preciosa sem dúvida, mas não inacessível; divina, mas afecta aos prazeres mais terrenos da carne; o catalizador do ardor que senti - o pijaminha.Visto assim, seria, muito provavelmente, tido por qualquer incauto como uma vulgar peça de vestuário. Quão enganado estaria, pois ontem conheci o poder arrebatador deste pedaço de indecência. Ali está ele, caído sobre o tapete, usado e abusado, a descansar do extâse incontrolado em que nos deixou. Mais uma vez os pêlos do pescoço... e a janela agora está fechada... Um movimento me desperta desta estranha obcessão - a perna dela. Observo-a. O lençol parece querer escorregar-lhe pela cintura, deixando a descoberto os seus seios redondos e macios, tão perfeitos e tão tentadores! A minha feiticeira... Sigo as linhas curvas do seu corpo pecaminoso com atenção a cada pormenor, a cada centímetro de desejo. Devoro-a como um miúdo em frente a uma loja de doces. Quero-a. Tanto. Eis que uma nova sensação me atravessa o corpo. Desta vez não são os pêlos do pescoço, mas sim um calor que me assalta e que me entorpece os sentidos, ou será que os desperta? Não sei. Já com o sexo aprumado, olho para o pijaminha que parece estar a rir-se (e o calor não pára de me invadir). É irresistível. Olho para ela, tem os olhos abertos fixos em mim e sorri-me trincando o lábio inferior - ela sabe. Tendo chegado ao meu limite, caminho para ela, consciente de que irei experimentar novamente o prazer do pecado original...

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

O Pijaminha Indecente - parte VI


Estou a escorrer, sinto um arrepio percorrer-me a espinha à medida que me dirigo para o quarto, nua, onde o encontro de olhos fechados na minha cama com o meu pijama nas suas mãos... Tiro-lho e é então que ele abre os olhos, de volta ao mundo real, e se apercebe da minha presença! A sua expressão ao ver-me vestir o pijama deixa trespassar o seu desejo de tocar o meu corpo por debaixo daquela peça de roupa... Sinto-o extasiado a olhar-me e, com malícia, aproveito-me da sua fraqueza... Dirigo-me ao outro lado do quarto sentindo-o a observar-me, os seus olhos a perderem-se pelo meu corpo deixando-me nua, todavia ele está lá, se bem que indecente, o pijaminha! É então que ele se levanta, lenta mas determinadamente, e atravessa o quarto... Os seus lábios roçam-me o pescoço, as suas mãos procuram o meu ventre... Resisto por instantes ao seu toque mas pouco depois as minhas barreiras abandonam-me e entrego-me sem pensar! O calor específico do seu corpo inebria-me, a sua presença deixa-me segura ( Como é possível combinarmos tão bem? Quem diria que estaríamos aqui neste momento...). Os nossos corpos funcionam em sintonia, os beijos combinam. O ambiente torna-se cada vez mais erótico bem como o desejo, de tal modo que só os seus beijos são capazes de sufocar a loucura dos nossos corpos colados ainda por saciar, cheios de pressa por sentir! Perdemo-nos em jogos proibidos e pouco depois o pijama já me está a abandonar outra vez, o sacana!...

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Capítulo V

Enquanto o som de água quente a percorrer o corpo de mulher se ouve ao longe, o meu olhar fixa-se no pijama. Que obsessão é a minha por uma simples peça de roupa? Em vez de sair deste quarto vazio de presença humana e seguir o som da água onde sei que me esperam dois braços quentes para me envolverem, continuo aqui, sentado na cama, à luz ténue da lua cheia e saboreio…

Saboreio este momento sozinho com o pijama. Há momentos que só se devem saborear a sós, este é um deles. O pijaminha foi deixado no chão, ao acaso… I n d e c e n t e m e n t e… Os meus olhos vasculham o quarto em busca de algo que me possa salvar desta doce tentação mas não vou a tempo, uma aura azul cresce em torno do pijama iluminando a cama onde estou, iluminando-me. “Vem até mim”, parece ele dizer com uma voz de súplica, de entrega total, de quase desespero. Quem pode assim resistir a tal chamamento? Eu não. Levanto-me e dou dois passos curtos. Tenho medo. Tenho medo daquela indecência prostrada no chão que piso. De repente, algo me invade…Um calor arrepiante que me queima as entranhas, um calor ardente que caminha pelo meu corpo inteiro deixando pegadas por onde passa, um calor profano e indecente de excitação. Agarro sofregamente o pijaminha, fecho os olhos e deixo que o seu cheiro fatal me embriague os sentidos…

O Pijaminha Indecente - Capítulo 4

Ela:

Empurro a porta do quarto e saio...ele ficou fixo no pijama, o porquê? Deixei de conseguir perceber...

Vou tomar banho...percorro o corredor às escuras, o meu vulto recorta-se na luz do quarto sem que roupa nenhuma me estrague a silhueta...Entro na casa de banho e ligo apenas a luz do espelho, ténue. À medida que entro lentamente na banheira penso em como o desejo pode misturar almas e corpos, tento perceber a forma como ele me despiu, como me desejou por momentos, arriscando o limite...

A água cai na minha pele, quente, provocadora, sensual...esqueço o que se passou no quarto, visualizo na minha mente o meu corpo dentro do maldito pijama...o fulgor que o consome, a serena astúcia do pecado que me conduz as mãos pela área que outrora pertencera ao pijama...porque ardo de desejo? Não percebo, mas começa a agradar-me...

Gosto de sentir a água cair...gosto da sua suavidade constante, do seu toque insistente, da calma com que avança sem pedir licença...quente, quase tão quente como o atrevido pijama...e o porquê desse deleite obsessivo pelo pijama, não o entendo, mas neste momento também não quero entender, quero apenas desfrutar da água, da luz quente, das minhas curvas recortadas no vidro, do meu corpo reflectido no embaciado do espelho...de mim, só, sem o pijama...

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Capítulo II

Subitamente imagino-me já naquela divisão pecaminosa, meu corpo de repente em nudez...minha menina traquina dançando algures (talvez junto da lua – não importa agora) e já só a sua túnica de anjo, seus despojos da queda à vã condição mortal – asas mortas jazendo pelo chão (finalmente, para absolvição do meu pecado) mas (Oh tentação!) bem à vista da minha companhia; perdição de todas as minha possíveis boas intenções de purificação e alimento da minha violenta obsessão...
De algodão fino azul, suave como a luz da madrugada, perverso e louco como as chamas que ardem no inferno, verdadeiro símbolo do pecado e da indecência, estava largado no chão, o pijaminha. Sereno e tentador, era como se olhasse para mim desesperado por sentir o meu corpo junto ao dele, podermos viajar através de um mundo de fantasias e ilusões apocalípticas, de nos erguermos bem alto e gritar ao mundo a felicidade, embora embebida de indecência, partilhada apaixonadamente por nós. Passei as mãos suavemente pelo meu corpo nu, senti o húmido dos meus lábios, o calor infernal do meu peito ardente de desejo e olhei outra vez para o chão com amargura. O pijama continuava lá estendido, perfeito, belo e brilhante como safira pura num colar de ouro cintilante. Ele chamava por mim, ele desejava-me ansiava-me! Oh que amor, que ternura, que pecado! Foi então que no mais íntimo do meu inconsciente decidi aproximar-me...

Ode ao pijaminha indecente (um caso de fetichismo sério)



E foi assim que tudo começou..poderia não ser mais do que um mero devaneio resultante de alguma obcessão um tanto ou quanto contorversa de alguma alminha perdida qualquer ( as nossas alminhas perdidas talvez)..mas ( e não fossem as veduras de Teoria) pela maravilhosa arte das palavras e graças ao grande mundo da blogosfera ficará aqui sempre inscrito, como prova da nossa alma trovadora ( e da nossa perversidade total também)!


Enjoy our madness =D

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depois de almoço; um sol gelado de inverno...


Fecho os olhos lentamente à luz cruel do dia, em busca daquela visão de azul (ainda o sonho da noite passada), quase imaculada, colada á tua pele (quase profanamente), denunciando as tuas formas ariscas, proporcionais ao Divino – a curva dos teus seios, o descer da tua cintura, o volutear das tuas coxas...Sim...delírio prolongado-se em êxtase até aos teus pézinhos de bailarina (minha menina traquina)...Páro. Fixo-me num só ponto – o teu umbigo (peça única do teu corpo de anjo caído) – cereja apetecível posta a descoberto à tentação (para os meus pecados) de trincar...e já a minha língua o beijando e as minhas mãos sentindo o teu tremer…

AI!

Esse maldito pijama - indecente! - Sim indecente!! Que me faz assim descer a este desejo – ardente, louco e inconsequente – este desejo que só poderia descansar (e no meu peito deixar de arranhar) quando este (finalmente), longe da minha vista, repousasse, largado pelo chão!!!...

Terça-feira, Novembro 15, 2005

O busílis

Hei-lo...o verdadeiro.....o causador de toda esta inquietação...e muito está ainda para vir....!!